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11/01/09 – Falência do ensino e derrocada moral.

Em 11 de janeiro de 2009 às 11:10 | por Bruno Engert Rizzo | 992 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Educação, Ensino Público, Opinião, Politicas Públicas

O Brasil vive um momento singular na linha evolutiva.

Temos um vasto território, terras agricultáveis, bom clima, um parque industrial pujante, abundantes recursos naturais, energia e economia de escala.

Esse conjunto de fatores transforma o Brasil em candidato natural à potência do século XXI e permitiria financiar uma revolução social com conseqüente transformação de um povo empobrecido, semi-analfabeto e com direitos básicos negados, em cidadãos plenos e ricos.

Lamentavelmente existem dois pré-requisitos que representam verdadeiros óbices, quase intransponíveis.

A primeira deficiência está na área política.

Há décadas os quadros políticos vêm se deteriorado com indivíduos moral e tecnicamente despreparados galgando o poder. Estamos vivendo a falência múltipla do Estado, fruto de uma decadência semelhante àquela que esfacelou o Império Romano com bárbaros se apossando de um país desenvolvido que não compreendiam.

Aqui a situação está ganhando contornos preocupantes, pois tanto no Congresso como também na grande maioria das casas legislativas e mesmo em instituições de Estado, já há predominância de novos bárbaros.

Esses bárbaros da era moderna pouco diferem daqueles que saquearam e destruíram o Império Romano. São indivíduos sem moral, sem ética, sem visão de Estado, movidos por ambições pessoais e sentimentos mesquinhos. Não estão organizados em tribos e sim em partidos e sindicatos, mas são igualmente destrutivos.

A ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder e a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foram o golpe final no sistema político do país. Lula, seus ministros, aliados e assessores transformaram o Brasil numa terra de ninguém onde o submundo do crime organizado se confunde com o Estado às escâncaras.

Hoje está claro que nem Lula nem o Partido dos Trabalhadores tinham um projeto político para o Brasil. O objetivo era simplesmente ganhar a eleição, aparelhar o Estado para se perpetuar no poder e conduzir o país a um sistema comunista travestido de socialismo moderado. A prova desse objetivo velado são a afinidade e idolatria de praticamente toda cúpula do governo por Fidel Casto e a declarada simpatia por Cuba e seu sistema político falido.

O projeto dessa revolução comunista está em curso e se não houver oposição, é provável que nos transformemos numa gigantesca Cuba ou num fac-símile tupiniquim de uma União Soviética.

Hoje sabemos que qualquer sistema político que se assemelhe ao comunismo é corrupto, autoritário e sanguinário. Conforto riqueza e privilégios só existem para aqueles que estão ligados ao aparelho do Estado, que são sustentados a custa do sacrifício de toda população mantida em condições quase medievais. Além disso, o Estado Comunista só se sustenta com um forte aparelho repressor onipresente em suas entranhas.

Mas essa ruína dos quadros políticos e mesmo a ascensão do Partido dos Trabalhadores tem uma origem e está intimamente ligada com a questão do ensino decadente que representa a segundo grande deficiência do país.

Enquanto o ensino não der um salto qualitativo o país não será capaz de formar quadros políticos e num futuro próximo, haverá escassez até de mão obra qualificada para dar sustento ao desenvolvimento.

O ensino público é um sistema falido cujo objetivo parece ter se reduzido a diplomar semi-analfabetos para mascarar o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH do país e fazer marketing político.

A falência do ensino público fundamental e médio tornaram o ensino superior inacessível para alunos oriundos da quase totalidade das escolas públicas.

Para não desagradar a população que tem sido vítima dessa política de ensino medíocre, o governo criou o sistema de cotas. Com isso deu mais um passo rumo a barbarização da Nação.

As cotas são inconstitucionais, pois ferem o principio da igualdade. Mas o governo há muito tempo já rasgou a Constituição e só a invoca quando lhe convém.

Diante dessa realidade não é preciso ser vidente para antever o futuro.

Com o ensino decadente e transformado numa máquina de emissão de diplomas, estamos formando verdadeiras hordas de incapazes que não serão absorvidos pelo mercado de trabalho. Provavelmente a maioria ingressará no mercado informal ou engrossará as fileiras do crime organizado. Essa última opção tem se mostrado atraente, apesar da baixa expectativa de vida. O crime não exige experiência, qualificação ou qualquer requisito além de audácia e barbárie.

Mas o desemprego desse contingente de semi-analfabetos é apenas uma das conseqüências.

A grande questão é que faltará mão de obra qualificada para alavancar o desenvolvimento e crescimento do país.

Atualmente já existe um déficit de mão de obra qualificada em vários setores, notadamente na construção civil que é das molas de impulsão do desenvolvimento.

O orçamento proposto para o ano de 2009 mostra claramente que ensino não é uma prioridade desse governo. Pelo contrário, parece que o governo vem fazendo um esforço coordenado para acabar com o ensino no país.

Além disso, existe uma grande ilusão a respeito de toda riqueza do Brasil.

Petróleo de camadas pré-sal e outros recursos naturais que constituem patrimônio brasileiro, não reverterão em benefícios para o povo brasileiro se este não tiver capacidade técnica de participar do processo de extração e transformação dessas riquezas.

Se não existir mão de obra genuinamente brasileira capacitada, sofreremos um neo-colonização como está acontecendo na África e as riquezas do país reverterão para empresas estrangeiras e trabalhadores estrangeiros.

Toda riqueza tem um custo de produção composto por capital e trabalho. A parcela referente ao trabalho está presente em toda cadeia produtiva. A única forma de transferência de riquezas naturais do país diretamente seu povo é este participar do processo de produção.

O exemplo do petróleo pré-sal é bem representativo. A extração e transformação do ouro negro movimenta diretamente a indústria naval e petroquímica. Essas dependem da indústria mecânica, química, de transportes e serviços auxiliares que por sua vez dependem de outros seguimentos.

Em todas as etapas dessa cadeia de produção há necessidade de mão de obra e é a qualificada que representa a maior parcela de custo referente ao trabalho.

Se a mão de obra é nacional essa riqueza permanece no país e movimenta a economia nacional. Se a mão de obra é estrangeira, parte significativa dessa riqueza reverte para outros países. Ou seja, a má formação do povo é um dos fatores de desequilíbrio na distribuição de riquezas.

É exatamente o que está acontecendo na Venezuela. Ainda que Hugo Chavez tenha nacionalizado o petróleo não há transferência de riqueza para o povo. Pelo contrário, é uma das populações mais miseráveis da América do Sul.

Todos esses aspectos mostram que o ensino é a chave fundamental para o desenvolvimento do país e enriquecimento de seu povo.

Como em outros artigos lembramos o exemplo da Alemanha que saiu da II Guerra completamente derrotada e falida com pouco mais de 60 milhões de habitantes reduzidos ao estado de expropriados pela destruição da guerra. Os únicos patrimônios que a guerra não destruiu foram à educação e formação de alto nível do povo.

Pelo Plano Marshall, a Alemanha recebeu após a guerra US$ 1,39 bilhões, além de US$ 1,17  bilhão em donativos e um empréstimo de US$ 217 milhões.

Com esse minguado aporte de capital e pela capacidade do povo alemão, a Alemanha em menos de 15 anos já despontava como potência na Europa.

O elevado grau de instrução decorrente de um sistema de ensino de qualidade desempenhou o papel fundamental.

Não fosse esse aspecto, os recursos do Plano Marshall teriam evaporados na subvenção de alimento, aquecimento e habitação do povo e a Alemanha teria se transformado numa gigantesca favela.

No Brasil consumimos alguns Planos Marshal por ano em programas populistas e compra de votas à prestação e grande parte da população não saiu do estado de miséria melhorada.

O orçamento anunciado para  2009 na área da educação é da ordem de R$ 48 bilhões. Ao câmbio de R$ 2,272 por US$, esse montante representa US$ 21 bilhões.

A questão é que esses recursos são injetados num sistema falido. Assim, por mais recursos que sejam enterrados na edução, não haverá resultados.

Enquanto permanecer esse sistema de ensino que além de medíocre é altamente discriminatório, nosso futuro é duvidoso. O Brasil será progressivamente tomado e dominado por bárbaros que desprovidos de moral e de visão de Estado, lançarão o país em crises e conflitos sociais que podem significar até o fim República.

Está aí o exemplo da Bolívia.

Se não houver uma mudança radical na política de ensino, estamos fadados a ser barbarizados.

 

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