Navegação » Principal / 20/01/09 – Precisamos de uma nova ordem mundial.

| Assinar RSS

20/01/09 – Precisamos de uma nova ordem mundial.

Em 20 de janeiro de 2009 às 7:14 | por Bruno Engert Rizzo | 15.407 leitura(s)
Economia, Futuro, Internacional, Meio Ambiente, Opinião, Política

O mundo enfrenta uma crise e os governos dos países economicamente mais fortes têm empreendido um grande esforço para evitar um colapso da economia global.

A crise eclodiu nos EUA em decorrência da quebra do sistema financeiro habitacional, que, pelo fato de envolver bancos de primeira linha, arrastou outros países.

Mas existem outros fatores ligados à economia dos EUA que contribuíram para desencadear a crise. A crescente dívida pública e o custo das guerras do Afeganistão e do Iraque por certo ajudaram a enfraquecer os EUA e consolidar a crise.

Os especialistas têm encarado a crise global como uma questão meramente financeira e os governos têm tentado usar medidas econômicas como remédio na tentativa de evitar o colapso do sistema financeiro.

Tudo é estranho. O planeta vive nos dias atuais uma crise global muito mais complexa e grave do que a simples quebra do sistema financeiro. Contudo parece que o mundo só tem olhos para essa questão que na realidade é mera conseqüência de toda uma ordem mundial deturpada e decadente que não se sustenta.

O planeta está superpovoado, recursos naturais não renováveis estão se exaurindo, há escassez de água e alimento em diversas regiões e a atividade humana está interferindo no equilíbrio global do planeta. A continuidade de todo esse processo por certo levará à grandes modificações e desastres humanitários que colocam em risco a própria existência do homem.

Apesar desse quadro sombrio com contornos cada vez mais bem delineados, as autoridade globais parecem andar de antólios, pois só enxergam a crise financeira e a consequente recessão.

A crise financeira é fruto de uma ordem mundial arcaica engendrada e aperfeiçoada por grupos de interesses no decorrer de mais de um século e foi responsável por arrastar o mundo a duas grandes guerras e outros conflitos de menor porte, além de disseminar fome e miséria mundo afora.

O planeta suportou essa ordem mundial enquanto sua população era insignificante e os recursos naturais, mesmo finitos, pareciam inesgotáveis.

O poder se concentrou em alguns grupos que para manter o “status quo” criaram regras que praticamente impedem países menos desenvolvidos de galgarem o nível da dignidade.

Chega a cínico que a ONU, instrumento de pressão e ação política de um grupo minoritário de países governados por interesses corporativos, faça gigantescas campanhas publicitárias que ostentam bandeiras como igualdade, ajuda humanitária, combate a miséria e a violência. É puro cinismo, pois as ações promovidas pelo mesmo grupo de países que dominam a ONU, contradizem o discurso humanitário e igualitário.

Padrão ouro, dólar americano, euro ou qualquer outro que venha a ser implantado como mero regulador do fluxo internacional de capital não mudará a matriz de desequilíbrio que rege o planeta.

A nova ordem mundial precisa levar em conta o planeta como um todo e tentar sanar deficiências estruturais que estão na base da ordem mundial vigente que atualmente se resume em linhas gerais, a manter e concentrar poder e riqueza.

Um exemplo que permite perceber os fatos com mais clareza é a questão das metas do Protocolo de Kioto. Teoricamente a questão fundamental do protocolo seria salvar o planeta de um gigantesco desastre. Contudo, o protocolo acabou transformando poluição em commodities e as regras para sua negociação mais uma vez são um instrumento de concentração de poder e manutenção do “status quo”.

Além disso, os países que mais emitem CO2 e gases do efeito estufa se recusam a ratificar o protocolo. A questão é simples.

Os países menos desenvolvidos e hoje economicamente escravizados pelos países ricos, não violam as metas do protocolo.

Também não recebem qualquer compensação por terem preservado florestas naturais enquanto os países ricos as exploraram gerando capital para alavancar seu desenvolvimento.

É um paradoxo. Reflorestamento gera seqüestro de carbono que por sua vez pode ser transformado em créditos negociáveis.

Mas o fato do Brasil e outros países terem mantido suas florestas, não gera créditos ou benefícios. Se gerasse, ameaçaria toda relação de poder que rege o mundo, pois países pobres e emergentes passariam a gerar riquezas fora do controle de países ricos e grupos de interesses.

Questão similar se dá com o preço de commodities que é ditado pelos países ricos e mantido desproporcionalmente baixo em relação a produtos industrializados. Dessa forma países pouco desenvolvidos cujo único capital são riquezas mineriais, fornecem matéria prima ao mundo por um preço vil e continuam eternamente pobres sobreviventes, até que a matéria prima termine. Então serão escravos, pois não terão o que vender a não ser mão de obra barata.

Essa é a grande questão que vai muito além da crise financeira.

O planeta está doente e sofrendo uma falência múltipla que demanda um claro entendimento de todas as origens do processo para que se possa ministrar o remédio certo. Tratar a questão financeira de forma isolada é o mesmo que tratar apenas um sintoma da doença.

A globalização transformou o planeta naquilo que ele realmente é. Um mundo pequeno que já não permite confinar pobres no hemisfério sul e concentrar ricos no norte, como também não pode ser mais regido por leis que consideram apenas aspectos econômicos e financeiros.

O mundo depende de alimento, água e commodities e precisa reduzir a emissão de gás carbônico, como também precisa erradicar a miséria. É inaceitável que países pobres e emergentes continuem financiando países ricos para que estes se tornem mais ricos.

O mundo caminha para um cenário de escassez com uma população que talvez venha a estabilizar em 2050. A ordem econômica vigente é perdulária em todos os aspectos pois sub-valora as fontes primárias da vida e cria regras que incentivam a predação inconseqüente do planeta em grande escala. Já passamos o ponto limite suportável pelo planeta e já sofremos as conseqüências dessa irresponsabilidade coletiva.

Se a nova ordem mundial for apenas mais projeto econômico para concentração de poder e manutenção do “status quo” o futuro da humanidade será sombrio. Não haverá pobres nem ricos, apenas muito ricos e sobreviventes.

Compartilhe ou adicione aos favoritos:
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook


PéssimoNada especialVale a penaMuito bomExcelente (1 votos, média: 5,00 de 5)
Loading ... Loading ...

Gostou do que leu? Não deixe de assinar nosso RSS feed!

Deixe um Comentário

Idiomas:

Italiano English Alemo Francs Espanhol