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21/01/09 – Não nos iludamos com Obama.

Em 21 de janeiro de 2009 às 11:50 | por Bruno Engert Rizzo | 4.628 leitura(s)
Internacional, Opinião, Política

Barack Obama, o 44º presidente dos Estados Unidos da América tomou posse ontem em meio a um clima de ansiedade e euforia global.

Após o governo mais do que medíocre e incompetente de George W. Bush, a impressão que se tem é que Barak Obama se elegeu presidente do planeta Terra, tamanha é a esperança que o mundo deposita nele.

Na África Obama tem sido festejado como se fosse herói nacional e grande benemérito que veio para resgatar pobres, negros e miseráveis.

Na Europa, mesmo em países desenvolvidos, Obama tem recebido calorosas manifestações de apoio.

No Brasil chegaram a circular adesivos de apoio a Obama em veículos.

Os principais jornais do Brasil elevam Obama a um status superior ao de estadista.

As manifestações de apoio e otimismo mundo afora dão realmente a impressão que Obama seria mais do que mero presidente dos Estados Unidos da América e que libertará o mundo de todas as agruras.

Não é bem assim.

Obama assume a presidência de uma potência hegemônica decadente, atolada em dificuldades e em meio a uma crise financeira global.

Seu discurso de posse é realista e tem a humildade de reconhecer as dificuldades que o país atravessa. Também permite fazer uma leitura clara que a era do poder hegemônico acabou. Segue a transcrição de quatro parágrafos.

“Que estamos no meio de uma crise, isso está entendido. Nossa nação está em guerra contra uma rede extensa de violência e ódio. Nossa economia está enfraquecida em consequência da ambição e da irresponsabilidade da parte de alguns, mas também por nossa falha coletiva ao fazer as escolhas necessárias para nos preparar para uma nova era. Lares foram perdidos; trabalhos, defeitos; negócios, fechados. Nosso sistema de saúde é muito caro; nossas escolhas têm problemas; e cada dia há mais evidências de que a forma com que usamos a energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta.

Esses são os indicadores de uma crise, objeto de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo é o esgotamento da confiança através de nossa terra - o medo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve abaixar seu olhar.

Hoje eu digo a vocês que os desafios que temos pela frente são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão vencidos facilmente ou num curto espaço de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão vencidos.

....

Lembrem-se de que gerações que nos antecederam enfrentaram o fascismo e o comunismo, não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles compreendiam que o poder sozinho não pode nos proteger e nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles sabiam que nosso poder cresce pro meio de sua utilização prudente; nossa segurança emana da justiça de nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades temperantes da humildade e do auto-controle.”

Contudo, parece não estar claro para o restante do mundo que Obama se elegeu presidente dos Estados Unidos da América. Apesar de ser a antítese do típico presidente anglo-americano, zelará pelos interesses de seu país e do povo que o elegeu.

Talvez o faça de forma mais política e inteligente que seu antecessor com cérebro de ogro.

Contudo não haverá mudança radical de rumo na política externa como paira no subconsciente coletivo global.

A missão de desatolar os EUA é hercúlea e demandará uma concentração de esforços de tal monta, que é difícil imaginar que sobre benemerência. Pelo contrário.

Além disso, existem vários aspectos que representam mais do que pedras em seu caminho.

Internamente a economia dos EUA está em grande dificuldade. Seguem alguns números que permitem avaliar melhor a situação.

  • PIB 2007: US$ 13,78 trilhões
  • Dívida pública 2007: US$ 9,6 trilhões.
  • Orçamento anual 2006: US$ 3,5 trilhões
  • Gastos anuais 2006: US$ 3,9 trilhões
  • Déficit: US$ 400 bilhões.

Em 2008 a situação econômica se deteriorou. As guerras tiveram um custo muito mais alto do que o orçado e a crise no sistema financeiro levou à redução do crescimento projetado.

Mas a questão econômica é apenas uma das dificuldades.

A anunciada retirada de tropas dos EUA do Iraque pode não acontecer, dependendo das circunstâncias. Seja como for, já custou enormes sacrifícios, ainda terá um custo proibitivo e mesmo após a retirada ficará marcada como uma derrota tal como a guerra do Vietnam.

No Afeganistão a situação é mais complexa e Obama já anunciou que enviará reforço de tropas para supostamente caçar terroristas. Ou seja, a guerra continuará sangrando os cofres públicos e ceifando vidas de soldados dos EUA.

A questão da Palestina está mal resolvida e uma solução definitiva parece estar longe de ser encontrada. O fato é que Israel sempre teve apoio financeiro, militar e político incondicional dos EUA. Essa foi inclusive a razão da última campanha de Israel com maciços bombardeios e a invasão de território palestino. Aproveitaram os últimos dias de George W. Bush para fazer aquilo que talvez não conseguissem fazer com tanta liberdade no início do governo Obama.

Mas as premissas políticas dos EUA pouco podem mudar. Ainda que Obama não queira apoiar Israel de forma tão ampla, não abandonará seu melhor aliado na região mais conturbada do Oriente.

Na questão ambiental Obama foi evasivo. Sabe perfeitamente que os EUA sofreriam um verdadeiro débâcle industrial e econômico se efetivamente ratificassem o Protocolo de Kioto.

Todas essas questões praticamente engessam a política externa do país cuja economia e indústria foram literalmente mobilizadas e transformadas para a guerra.

Além disso, China e Rússia são duas potências e por certo não estão dispostas a ceder espaço para os EUA no jogo do poder. Pelo contrário, explorarão a oportunidade da potência hegemônica estar cambaleante para, quem sabe, subir no pedestal ou dividir o pódium de forma mais equilibrada.

A leitura mais otimista que podemos fazer de Obama é a de um chefe de Estado ponderado que envidará todos os esforços para não permitir a derrocada da potência hegemônica.

Tal implica em costurar acordos, negociar a paz e revitalizar a economia dos EUA. Mas milagres não existem e nada vem de graça no mundo atual onde o jogo do poder ainda é regido por regras medievais. Quando a diplomacia falha, entram em cena a coação econômica e o braço armado da política.

Os fracos continuarão sendo engolidos e os fortes terão que se impor. Aqueles que têm sabedoria e saibam explorar o momento, talvez criem oportunidades para construir um mundo mais equilibrado.

Não devemos encarar Obama como irmão e salvador do mundo, mas sim como o presidente dos Estados Unidos da América que tudo fará pelo seu país.

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2 Respostas para “21/01/09 – Não nos iludamos com Obama.”

  1. Xenon M Gilg escreveu:


    Barack Obama ou Davi e Golias
    As impressões sobre Obama deixam o mundo perplexo, é quase como a dicotomia Davi e Golias.
    Isto ocorre devido a que o ser humano sempre põe sobre terceiros a responsabilidade da luta sobre os problemas que lhe afetam.
    Quando não é sobre uma religião, é sobre políticos, sobre grandes personalidades salvadoras.
    Mas a verdade é que cada um de nós é responsável por si mesmo, porém, como convencer as pessoas desse fato?
    Já vem arraigada desde longe a idéia da dependência posta em fatores externos ao ser. A maioria não se dá conta de que tem em si próprio toda a condição de vencer os obstáculos que se lhe advêm.
    O ser humano tem a faculdade já comprovada de pensar detida e emocionadamente sobre algo e ver materializado esse pensamento.
    Claro está que algumas técnicas e disposições de espírito são necessárias para que dê certo. É na ausência destas premissas, que ocorre um eventual fracasso. Mas o problema não é este fracasso eventual. Está na desistência. Logo em seguida o experimentador diz a si mesmo, "ora essa, eu já sabia que ia fracassar".
    Esta má disposição é que causa todo embaraço. É conhecido o exemplo de Thomas Edison que afirmou não ter fracassado mil vezes antes de inventar a lâmpada incandescente, mas, ao contrário, ter eliminado mil fatores errôneos.
    Bem, você também podia agir dessa forma quando se propuser a experimentar os efeitos de seus pensamentos positivos sobre suas propostas de vida. Dê tempo ao tempo. Sorria e tente outra vez.
    Vamos sempre em frente que a vitória é nossa, é sua, e é também de Barack Obama e da Humanidade.
    Xenon - o Mentalista


  2. Lucas Haddad escreveu:


    Olha para quem escreveu este rigoroso e ,,''_ameaçador_'',, comentário eu gostaria de agradecê-lo(s) pelas belas palavras em proteção a nossa opnião quanto a Barack Obama, pois também acho que não devemos depositar uma certa esperança e confiança em alguém que nunca vimos agir, e que estou em conjunto com todos que estão em dúvida com este tal assunto!
    Obrigado pela atenção e continuem com isso, pois nós naum iriamos para frente se não existissem pessoas assim.
    ^^


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