10/05/09 – O “sujeito da esquina” somos nós, o povo brasileiro.
Há décadas somos governados por uma elite medíocre e despreparada. A cada eleição o nível desce mais um pouco e empossamos verdadeiros bárbaros boçais em cargos que deveriam ser privativos de uma elite intelectual e moral.
Com isso o Congresso, as casas legislativas estaduais e municipais se transformaram num reduto de bandidos de colarinho, onde a prerrogativa para ingresso parece ser uma ficha criminal.
Na questão moral, chegamos ao fundo do poço e já não há pudor por parte da classe política em nos roubar de todas as formas possíveis.
As falcatruas não têm limites. Na prática, os partidos se transformaram em quadrilhas que embora defendam interesses distintos, matem como regra sagrada uma aliança incondicional para acobertar crimes e desvios de conduta.
Corregedorias, Conselhos de Ética, Ouvidorias, CPIs e outros mecanismos de controle, não passam de encenações grotescas cujos resultados práticos são drenos de recursos públicos para pagamento de Jeton (gratificação de presença) e um verdadeiro deboche.
Mesmo aqueles que em pomposos discursos tentaram construir uma imagem de moral ilibada mostraram já mostraram que são lixo do mesmo saco. Foi assim com Fernando Gabeira, com Heloísa Helena e com os demais. Não há um único nome no Congresso que resista a um crivo ético.
Caminhamos rumo a um sistema político que é tudo menos uma democracia, pois cada vez mais aqueles que deveriam representar o povo, desse se afastam. Parece que a razão de ser do Congresso, das casas legislativas e do Supremo Tribunal Federal são políticos e ministros.
O ministro e Presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Gilmar Mendes, o deputado federal Sérgio Moraes (DEM-RJ) e o deputado federal Ciro Gomes, (PSB - CE) sintetizaram com perfeição essa inversão de valores.
Gilmar Mendes afirmou: ''Não se dá independência ao juiz pra ele ficar consultando o sujeito da esquina”.
Talvez ele tenha estudado demais e esquecido que leis e juizes existem para atender os anseios e necessidades da sociedade. Atualmente a razão da existência dos ministros do STF são eles mesmos com mordomias e uma visão egocêntrica de um mundo paralelo. Suas reuniões parecem um programa de auditório no qual se digladiam com discursos pomposos disputando erudição. Os resultados práticos para a Nação são secundários ou até irrelevantes.
Já o deputado Federal Sérigo Moraes, relator na Comissão de Ética da Câmara do processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), num desabafo em público afirmou e alto e bom tom: “Estou me lixando para a opinião pública”.
Por certo esqueceu o princípio mais elementar da democracia. Ou seja, está lá na condição de deputado, usufruindo de mordomias, por ter sido eleito pelo povo para representá-lo.
Ciro Gomes foi menos contido deixou transparecer não só seu pensamento, como também sua formação.
Em pleno discurso perdeu o controle quando soube que viera do Ministério Público a informação de que havia financiado com dinheiro da Câmara, um giro internacional da mãe.
“Ministério Público é o *#%&??!!?.......(impublicável) ! Não tenho medo de ninguém! Da imprensa, de deputado! Pode escrever o *#%&??!!?.......(impublicável) aí!”, recomendou aos jornalistas.
Essa amostra apesar de reduzida, é extremamente representativa e nos dá a noção exata do quanto estamos órfãos de representação e distantes da verdadeira democracia.
O desprezo pelo “sujeito da esquina”, pela “opinião pública” e a arrogante certeza da impunidade diante de meios de comunicação, representa a morte da essência de um regime democrático.
Estamos diante de um destino muito mal traçado.
Temos grande parcela da população mantida na mais obscura ignorância e cronicamente dependente de assistência humanitária. Do outro lado há quadrilhas distribuídas em partidos que criaram mecanismos para drenar recursos do estado e transformar benemerência em votos.
Nesse sistema, eleições são mera formalidade para perpetuar quadrilhas no poder e mergulhar o Brasil num regime cuja melhor definição técnica é uma cleptocracia.
A transição está se dando debaixo de nossos olhos, sem que exista uma mobilização da sociedade civil organizada.
O “sujeito da esquina”, a “opinião pública” e a mídia precisam acordar antes que seja tarde.
A transformação definitiva de nosso regime numa cleptocracia pode ser um caminho sem retorno e sem futuro, além de extremamente angustiante e doloroso para cidadãos de bem que sonham com um país melhor para as próximas gerações.
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