29/05/09 – Todos os caminhos levam à favela.

No vasto e longêvago Império Romano foi cunhada a expressão “Todos os caminhos levam a Roma”.
E de fato assim acontecia, pois Roma era o centro do império e também marco fundamental de todo sistema viário.
No Brasil apesar da existência de um sistema de referência semelhante, vivemos uma realidade muito diferente.
Qual seja, todos os caminhos levam à favela.
Os grandes centros urbanos estão se tornando núcleos com resquícios de ordem, cercados pelo caos com favelas expandido suas fronteiras sem limites.
A cidade do Rio de Janeiro talvez seja o exemplo mais triste e acintoso dessa inversão de valores que prevalece sobre a lei, desrespeitando e agredindo a cidade, cidadãos, patrimônio público e privado.

Graças a sucessivos governos medíocres e políticas populistas chegamos ao caos total e a situação perdeu o controle.
Durante décadas políticos e gestores toleraram e incentivaram a ocupação desordenada.
Em troca de votos no atacado, a favelização e a desordem urbana foram à mola mestra da política. Chegamos a ter aberrações como o “kit construção” que consiste de material de construção gratuito e salvo conduto para erguer barracos ao arrepio da lei.
A inexistência de políticas públicas na área urbana e o surgimento de milícias, agravaram toda questão.
Construir em favela deixou de ser uma necessidade de sem teto e se transformou em empreendimentos milionários.
Atualmente barracos de taipa estão dando lugar a prédios de múltiplos pavimentos construídos sem projeto ou engenharia e em total desacordo com a legislação.
Não se respeitam gabaritos, normas técnicas e muitas dessas construções foram erguidas em áreas griladas ou públicas.

Há inúmeros casos de imóveis construídos sobre o logradouro público, praças públicas ou áreas de reserva.
Diante do caos surge a idéia de colocar um limite físico para barrar a invasão e destruição do centro urbano.
Primeiro foram construídos os chamados eco-limites que são marcos de concreto com cabo de aço limitando o perímetro das favelas.
Obviamente os cabos de aço foram furtados e os tocos de concreto embasaram novos barracos. Com isso os eco-limites caíram e a expansão continuou.

Diante dessa realidade partiu-se para o projeto de murar o perímetro das favelas.
Daí surgiu mais um impasse, fruto de uma inversão de valores sem precedentes.
As comunidade se opõem aos muros sob os argumentos mais torpes e obrigam o prefeito a discutir o assunto.
Chega a ser um pesadelo de Kafka que um prefeito tenha que discutir se favelas, os ícones da ilegalidade, podem ou não ter a expansão limitada por muros.
Aos olhos da lei, favelas podem ser limitadas e devem ser removidas por ferirem toda legislação de uso do solo.
Mas essa é uma verdade que não pode ser dita às claras. Aqueles que defendem essa bandeira são taxados de autoritários, anti-democratas e outros monstros.
Mas o caos que vige é autofágico. Favelas naturalmente se transformam em redutos do crime e aos poucos estão engolfando cidades, áreas de proteção, áreas públicas e privadas.
Se a sociedade continuar engolindo e propagando esse discurso hipócrita que favelas são parte do centro urbano e que são intocáveis, destruiremos nossas cidades. Também não podemos aceitar a tese que a sociedade tem uma dívida social com miseráveis e como compensação estes devam ter salvo-conduto para desrespeitar a lei.

O Rio de Janeiro está se tornando um favelão e nesse contexto já podemos dizer que todos os caminhos levam à favela.
Só fica uma dúvida. A qual delas?
Soluções existem e temos escrito exaustivamente sobre o assunto. Falta vontade política. Favelas são a versão moderna dos antigos currais eleitorais. Esse é o cerne da questão.
Essa política mediocre de trocar um prato de sopa rala por votos no atacado e negar ao povo direitos consitucionais elementares é criminosa. Em síntese essa política representa a garantia da escravização de miseráveis por várias gerações.
É obrigação do governo oferecer ensino de boa qualidade para gerar igualdeade de oportunidades desde o ensiono fundamental para todos os brasileiros. Só assim miseráveis conseguirão ascender socialmente, produzindo o próprio sustento e riqueza.
Quando o assistencialismo escravizante for trocado por políticas públicas decentes, favelas tenderão a minguar. A ascensão social levará o cidadão a buscar por melhoria na condição de vida e habitação em áreas com infra-estrutura.

(As fotos aqui publicadas estão disponíveis para venda em alta resolução)
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