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23/11/09 – Será Honduras um balão de ensaio?

Em 23 de November de 2009 às 10:04 | por Bruno Engert Rizzo | 211 leitura(s)
Brasil, Internacional, Opinião, Política

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Hoje, 23/11/09, a crise no governo de Honduras completa 149 dias e vai caindo no esquecimento.

Na realidade, se a data de 24/03/09 for considerada o marco inicial, já teremos 245 dias de crise.

O que está acontecendo neste pequeno país da América Central é grave e deveria levar à reflexão e mesmo preocupação de todos, especialmente de nós brasileiros.

 Do ponto de vista econômico e político, Honduras é um país inexpressivo no cenário global.

Sua economia é frágil e o país está localizado numa área castigada por fenômenos naturais como atividade sísmica, ventos fortes e inundações.

Na prática, as consequências da crise só são percebidas internamente, pois o país que já não tinha uma economia pujante e tem uma péssima distribuição de renda, vive uma crise política prolongada que traz todo tipo de dificuldade adicional com embargos e pressão econômico-financeira internacional.

Há meses o país vive uma convulsão social com toque de recolher e outras restrições que só afetam o povo sofrido pela própria condição do país que é pobre.

O pivô desta crise é o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tendo Luiz Inácio Lula da Silva uma participação muito especial.

Manuel Zelaya é mais um representante desta esquerda medíocre, populista e desonesta que participa do esforço combinado para transformar as Américas do Sul e Central num grande bloco comunista, cujo modelo seria Cuba e seu regime decadente onde direitos humanos são lixo e só abundam miséria e restrições.

Manuel Zelaya tem apoio político de Fidel Castro, Hugo Chavez, do líder sandinista Daniel Ortegaé, presidente da Nicarágua e de Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros. Honduras, equanto presidida po Zelaya,  tamém foi membro do Foro de São Paulo.

Segue a cronologia da crise.

A crise teve origem numa convocação feita pelo então presidente Manuel Zelaya em 24/03/09, para um referendo em julho sobre uma reforma constitucional que permitiria sua reeleição.

Em 20/05/09 Roberto Micheletti, presidente do Congresso denunciou um plano para assassiná-lo e acusou Manuel Zelaya de haver planejado se perpetuar no poder.

Com eleições convocadas para 29/11/09, em 24/06/09, Manuel Zelaya exonerou o general Romero Vásquez Velásquez, chefe das Forças Armadas de Honduras, por sua recusa em apoiar a logística para instalação das urnas para o referendo.

A recusa era legítima e se baseava em lei aprovada pelo Congresso que regulamenta referendos e plebiscitos, e invalidava juridicamente a consulta. Por decisão legítima do Congresso, o referendo era, portanto, ilegal e seria considerado um delito.

Em 25/06/09 a Corte suprema julgou a negativa do general procedente e ordenou sua restituição ao cargo. Em 28/06/09 Manuel Zelaya foi detido e levado para Costa Rica. O Congresso designou Roberto Micheletti como presidente interino.

Deste momento em diante a esquerda internacional alcunhou a crise de Honduras de golpe militar.

Até então a esquerda vinha se especializando em deturpar fatos passados para reescrever a história sub sua ótica. A crise de Honduras passa a ser um marco pois é a deturpação de fatos presentes para construção uma farsa desde a origem.

Quem intentou um golpe devidamente brecado pelo Congresso e pelo poder Judiciário, foi Manuel Zelaya. Entretanto, este foi transformado em vítima e as Forças Armadas que cumpriram seu papel legal de garantir o cumprimento da Constituição e de decisão da Suprema Corte, foram tachados de golpistas.

Mas até aquele momento, apesar do apoio da esquerda internacional a Zelaya, a crise era hondurenha.

Passou a ganhar contornos preocupantes com a postura da Organização dos Estados Americanos, da Organização das Nações Unidas e do Brasil, cujo dirigente supremo ferindo o Artigo 4º, incisos III e IV da própria constituição, resolveu misturar amizades pessoais e simpatia política com política externa.

Com este ato não só abrimos um precedente perigoso, como também quebramos uma tradição centenária da política externa brasileira, que sempre foi pautada pelo equilíbrio e pela neutralidade.

É interessante notar que aqueles que falam em golpe e exigem que se restitua a democracia, são os mesmos que apóiam incondicionalmente Fidel Castro e sua ditadura retrógrada em Cuba.

Os acontecimentos que se sucedem são uma sequência de atos irresponsáveis e absurdos dos quais o Brasil jamais poderia ter participado.

Em 05/07/09 Zelaya tentou retornar ao país, mas seu avião foi impedido de pousar pelo governo interino.

De julho a setembro Zelaya viajou pela América do Sul tentando obter apoio político para legitimar sua tentativa de golpe.

Em 22/09/09, por meio de uma operação clandestina planejada por Hugo Chavez e executada pelo governo brasileiro, Manuel Zelaya regressou clandestinamente à Honduras e foi hospedado na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

O Brasil poderia ter concedido asilo ou refúgio político a Manuel Zelaya em território brasileiro. Mas montar uma operação clandestina para infiltrá-lo em Honduras e hospedá-lo na embaixada brasileira juntamente com sua comitiva, é um desrespeito a toda legislação internacional e mesmo a Honduras que é um país soberano com poderes Judiciário e Executivo legalmente constituídos e instituições legítimas na estrutura política vigente.

A ingerência do Brasil na política interna de Honduras e a decisão estapafúrdia de permitir que a embaixada brasileira fosse transformada em sede de escritório de campanha e coordenação do movimento de resistência de Manuel Zelaya, coloca em risco a relação do Brasil com Honduras e abre um precedente perigoso que pode ter consequências imprevisíveis nas relações internacionais do Brasil.

O que deveria nos preocupar é que o presidente Lula está, cada vez mais, confundindo suas amizades e simpatias políticas com a política externa do país. Esta irresponsabilidade já nos causou prejuízos políticos e econômicos na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, recentemente no Paraguai e agora em Honduras.

Lula está destruindo em um mandato uma imagem e uma história que levamos alguns séculos para construir. Além disso, deveria nos preocupar muito o fato de Lula estar ajudando um golpista a se perpetuar no poder.

Por isso foi feito um enorme esforço político e de marketing no sentido de transformar o golpista candidato a reeleição, em vítima.

Ficam algumas perguntas.

Se aqui ocorrer fato semelhante e Lula convocar um plebiscito já vetado pela Comissão de Constituição da Câmara, será ele considerado vítima? O golpe irá adiante?

Se as Forças Armadas forem convocadas para garantir o cumprimento da Constituição serão taxadas de golpistas?

Como nós brasileiros reagiríamos à ingerência externa de um país em nosso direito de autodeterminação do destino da Nação?

Será Honduras um balão de ensaio?

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