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15/03/10 – Eleições, a ficha deles e democracia

Em 15 de março de 2010 às 10:18 | por Bruno Engert Rizzo | 764 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Educação, Geral, Opinião, Política

A cada dois anos o povo vai às urnas para eleger seus representantes. Esta é a essência da democracia.

Mas nosso sistema representativo é extremamente imaturo e está viciado. Podemos escolher, mas não temos opções.

A imaturidade do sistema decorre principalmente do atraso social e de um sistema educacional falido.

Ambos formam uma massa popular vulnerável, facilmente manipulável e corrompível por um sistema que troca votos por comida ou outras benesses humilhantes, gerando fidelidade ou submissão a custa do sacrifício de um futuro digno.

Além disso, nossa democracia está viciada pois permite que indivíduos envolvidos em crimes se lancem candidatos e, explorando a vulnerabilidade do povo, se elejam. Com isso criminosos se infiltraram nas mais elevadas esferas do poder no país e já podem ser considerados força dominante.

O resultado é este sistema que vivemos nos dias atuais e que nos embrulha o estomago com escândalos, corrupção, fraudes e mordomias abusivas, praticados por “nossos representantes” e sustentados com nosso dinheiro. Isso em âmbito municipal, estadual e federal, independente de partido e em todos os poderes.

Esta realidade literalmente perversa, é extremamente aflitiva para aquela parcela da população que tem plena consciência do que está acontecendo. Lamentavelmente estamos diante de um processo evolutivo lento que talvez sacrifique gerações e obste o progresso do Brasil por algumas décadas.

Tudo começa pelos partidos políticos. Estes deveriam ser o primeiro crivo para evitar que o lixo da sociedade se infiltre na política e galgue a esfera do poder. Mas esta é uma esperança perdida, pois os partidos se transformaram em agremiações de estelionatários e criminosos, sem qualquer ideologia ou pudor. O que vale para o partido na avaliação do afiliado é seu cacife eleitoral ou poder político. Não fosse assim, todos os vereadores, deputados e senadores envolvidos em crimes seriam expulsos de seus partidos e teríamos um gigantesco expurgo com risco de esvaziar as casas legislativas e não ter quorum mínimo para sequer iniciar uma seção.

Em segundo lugar está a mídia. Se esta realmente cumprisse seu papel de informar, agora já teríamos um campanha de esclarecimento sobre quem é quem. Como a mídia é controlada por uma rede de interesses, somos vítimas de um jogo de desinformação.

Por último vêm os três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário. Se pelo menos um destes fosse sério, haveria esperança. Lamentavelmente, os três poderes estão infiltrados e só podemos influir na escolha de representantes de dois destes poderes.

Se as casas legislativas fossem casas do povo como se autodenominam, cada assembleia, cada câmara e o Senado, manteriam um arquivo para livre consulta sobre todos os parlamentares com informações relevantes como frequência, produção e principalmente como cada um votou as leis propostas. Aí sim poderíamos escolher nossos representantes.

Já o Tribunal Superior Eleitoral deveria disponibilizar um arquivo para livre consulta com informações sobre cada candidato. Se existem candidatos respondendo a processos criminais é justo que saibamos pelo menos do que são acusados e em que estágio está o processo.

Com a proximidade das eleições, em breve virá o período de campanha eleitoral. Daí a máquina publicitária entrará em ação transformando bandidos, criminosos, ignorantes e mentirosos em grandes beneméritos e estadistas.

Promessas não cumpridas serão esquecidas, obras não realizadas serão inauguradas e principalmente, o passado de cada candidato será convenientemente reescrito de forma a ocultar o lado sombrio e criar méritos e glórias que provavelmente nunca existiram. Desta forma são construídos os candidatos da nossa democracia.

Assim parlamentares, prefeitos, governadores e presidentes continuarão no poder, seja pelo mecanismo da reeleição, seja por usarem publicidade e a máquina pública para eleger seus comparsas.

Como o povo tem memória curta e não existe uma espécie de arquivo imparcial onde possamos saber quem é quem, invariavelmente a democracia é burlada e o povo elege tudo, menos representantes legítimos.

Ver todas estas aberrações corrigidas ainda é um sonho. Mas talvez possamos dar início a uma mudança de rumo com o auxílio desta ferramente chamada internet e que aos poucos se transforma em algo como um gigantesco e global consciente coletivo.

Atualmente a grande rede reúne todo tipo de informação sobre pessoas públicas.

Se antes de escolher um representante fizermos uma consulta simples colocando o nome do candidato entre aspa, surgirão centenas de links que permitirão conhecer a essência do candidato.

Em menos de cinco minutos é possível saber se o candidato está envolvido em mensalões, fraudes, crimes, quais os escândalos que protagonizou, o que disse, o que pensa e até como se portou diante de assuntos de interesse do estado que representa ou da Nação.

Num futuro próximo, todas estas informações poderão convergir para cadastros montados pelo esforço coletivo a aí baniremos definitivamente bandidos e oportunistas da política brasileira.

Quando existir uma ficha de cada parlamentar ou candidato e uma maioria de brasileiros com acesso à estas fichas e capacidade de interpretá-las, aí talvez possamos falar em democracia.

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2 Respostas para “15/03/10 – Eleições, a ficha deles e democracia”

  1. Stella escreveu:


    NA MOSCA! não temos opções, se não os mesmos, são as crias e assim os feudos vão sendo mantidos


  2. Marcos A.Cavalcanti escreveu:


    Quando vc escreveu este artigo, no qual concordo em gênero, número e grau, não tinha havido o movimento popular que resultou na Lei do Ficha Limpa, que mais uma vêz, foi alterado na sua forma original.Por outro lado, se não me engano, em 30/06 foi veiculado a notícia que o Ministro Gilmar Mendes, deu uma "forcinha" ao "nobre" senador Heraclito Fortes e já houve outros políticos tentando o mesmo, que foi negado por outro ministro. Penso que este tipo de comportamento deveria mudar, em resumo, todos os ministros deveriam falar a "mesma língua" mais já que isto não acontece, se a sociedade realmente quiser mudar alguma coisa, na própria Internet, existe o nome dos políticos com a FICHA SUJA, então, basta o eleitor simplesmente não votar nos mesmos nesta e em futuras eleições.
    E para concluir, me parece adequado, que tomando por base a mobilização havida no Ficha Limpa, deveria haver outros para outros problemas, assim pela vontade do povo as coisas acabariam mudando.


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