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19/06/10 – Brasil, o eterno país do futuro.

Em 19 de junho de 2010 às 12:45 | por Bruno Engert Rizzo | 1.720 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Educação, Ensino Público, Futuro, Opinião, Politicas Públicas, Política

Há gerações nossas escolas ensinam que o Brasil é a grande nação do futuro. Temos um vasto território, recursos naturais em abundância, um povo pacífico e tantas outras características que tornam o Brasil um país interessante e de gigantesco potencial.

Mas nunca passamos disso. Somos a eterna potência do futuro. Vivemos no presente mazelas de um um país subdesenvolvido que não permitem ver em que momento encontraremos este futuro maravilhoso.

No discurso ufanista de políticos medíocres, este futuro está próximo e como sempre, acontecerá logo depois das eleições com a vitória dos promitentes presidentes, deputados e senadores.

Na prática, não importa muito quem vença. Há décadas, os candidatos são políticos profissionais de um cepa ruim, pobres de espírito na essência, oportunistas e incapazes de entender que o futuro de uma nação não se constrói com ações de curto prazo.

Nas últimas décadas o Brasil cresceu e de fato melhorou alguns indicadores sociais. Mas esta evolução se deu pelo gigantismo do país, pela sua riqueza e pelos bons ventos que impulsionaram o desenvolvimento glogal, apesar de nossos governos.

A política brasileira tem sido pautada por ações que visam apenas a satisfação do ego e da ganância daqueles que a praticam. Tudo se resume a atender aflições temporárias e caprichos do povo em troca do perpétuo poder. Ainda que as ações de hoje ameacem as gerações futuras, a grandeza e mesmo a independência política e econômica do país, esta tem sido a forma de conduzir a política.

O futuro de uma nação se constrói com política de estado, que demanda planejamento de longo prazo coordenado e ações que transcendem governos.

Mas nossos políticos talvez nem saibam o que é uma política de estado. Pertencem ao grupo “do roubo mas faço”, “roubo e não faço” ou são versões não mumificadas de Fidel Castro querendo levar o Brasil e regredir 100 anos com a implantação de um sistema comunista disfarçado de socialismo.

Com isso nossos horizontes de planejamento são curtos e visam remediar crises crônicas, sem avaliar as consequência dos efeitos colaterais.

Assim, para fazer frente a uma crise econômica, reduz-se o IPI de veículos, sem lembrar que os centros urbanos já estão com a infraestrutura viária sucateada e subdimensionada. Como não foram concebidas medidas para retirar veículos velhos de circulação, os centros urbanos passaram a viver o caos decorrente de uma frota de veículos incompatível com a malha viária. Outro efeito colateral é a emissão de poluentes. Mas as consequências não serão sentidas de imediato, logo este aspecto não está no hall das preocupações daqueles que conduzem o país. Caso em algum momento estes aspectos cheguem a inviabilizar a rotina urbana, baixa-se outro pacote de medidas atrapalhadas e inconsequentes e o problema é empurrado para o próximo governo.

Fato similar ocorre na construção civil, onde prefeitos por ganância, despreparo ou corrupção, aumentaram gabaritos permitindo a construção de prédios onde também não existe infraestrutura. Resultado, os congestionamentos são cada vez mais extensos o que representa uma enorme prejuízo para o país ou para a qualidade vida daqueles que precisam se locomover.

Na questão da energia o problema é mais grave. Enquanto outros países já deram o salto para o futuro desenvolvendo pesquisas de fontes de energias alternativas, continuamos falando em ampliar a parcela de hidrocarbonetos na matriz energética. Sabemos que o petróleo tem um horizonte finito muito próximo. Talvez possa suprir a humanidade por mais 40 anos a um custo ambiental elevado e nesta altura já chegando a limites críticos com desastres e poluição ameaçando a vida numa proporção inimaginável.

Mas 40 anos é um horizonte por demais longínquo para aqueles que só sabem pensar em ações medíocres e simplórias para agradar o povo e ganhar as próximas eleições ou se locupletar.

Mas todas estas deficiências crônicas têm uma origem. Qual seja, em mais de 500 anos de existência o país não foi capaz de preparar uma elite para planejar, governar, nem alavancar o crescimento na proporção de todo potencial. Este fato tem estreita ligação com a qualidade do ensino.

Sucessivos governos destruíram o sistema de ensino brasileiro. Temos hoje uma deficiência de mão de obra especializada que não nos permite crescer e estamos sacrificando o futuro de gerações que por falta de oportunidade terão de enfrentar o mercado de trabalho completamente despreparados.

Ainda que os Srs ministros façam projeções alvissareiras que o Brasil crescerá nos próximos anos, este crescimento não se sustenta. Falta o essencial que é mão de obra qualificada para alavancar o desenvolvimento. Atualmente o Brasil já importa mão de obra especializada e a tendência é demandar cada vez mais mão de obra estrangeira.

Na década de 70 o PIB do Brasil, da Índia e da China eram semelhantes. Na década de 80 o Brasil chegou a ter um PIB superior aos da China e da Índia.

Desde então a China disparou.

Qual terá sido a razão? Foram muitos os fatores. Mas um deles com certeza fez a diferença. Em 1976 a China emergia do período das trevas da fracassada Revolução Cultural (ou Grande Revolução Cultural Proletária) implantada por Mao Tse-Tung.

Com a morte de Mao, Deng Xiaoping assumiu o poder e implantou grandes reformas no Estado chines. Uma das mais importantes foi a do ensino.

Em 30 anos, graças a uma política pública de longo prazo na área do ensino para formar técnicos e profissionais altamente capacitados, a China deu um salto e deixou de ser um país subdesenvolvido para se tornar uma potência.

Na China formam-se atualmente 1.000.000 de graduados em carreiras tecnológicas por ano, enquanto no Brasil esse número não chega a 100.000. Os números mostram grande diferença quantitativa, mesmo considerando a relação com a população de cada país. Em termos proporcionais o Brasil forma um técnico para cada 2000 habitantes enquanto a China forma 1 técnico para cada 1000 habitantes. Mas existe também uma diferença na qualidade, o que nos distancia mais ainda da China.

Assim a China que ficou conhecida por produzir produtos de 1,99 de baixa qualidade, hoje é uma das potências tecnológicas do mundo que cada vez mais conquista mercados e cresce. A prova deste resultado não está só na evolução do PIB, mas também na evolução do número de depósito de patentes.

O gráfico 02 mostra esta evolução para vários países desde 1995.

(Para ver a tabela de números que gerou o gáfico clique aqui)

Atualmente o Brasil está em 22 lugar no depósito de patentes, com modestas 4500 patentes por ano, enquanto o Japão, maior potência tecnológica do mundo deposita 323.000 patentes por ano e a China, passou a ser a quarta do ranking com aproximadamente 114.000 patentes ano.

Lamentavelmente poucos cidadãos tem por hábito avaliar políticas públicas e nem percebem o impacto futuro de políticas medíocres. Por absurdo que pareça, também não olham para o passado para aprender com a história.

Enquanto India, China, Coréia e outros países estão alavancando riqueza e crescimento com restrições de recursos naturais, no Brasil continuamos sonhando com a potência do futuro que nunca chega.

Nossos horizontes de planejamento são curtos, muitas vezes nem abrangendo um período de governo. Além disso, parte das políticas são equivocadas, pois visam apenas o retorno político imediato.

O Estado se tornou uma entidade morta e se confunde com o governo, que se confunde com a ideologia de partidos de esquerda. Tudo se resume a negociatas e engodo.

Este é o Brasil real que jamais será uma potência enquanto a mediocridade predominar na política.
Enquanto não houver uma verdadeira revolução no ensino o Estado não será capaz de se autodepurar para expurgar a corrupção e alavancar um crescimento sustentável.

É desanimador constatar que novamente estamos diante eleições presidenciais e que, como de hábito, teremos de escolher o menos pior. Nenhum dos candidatos que ora se apresentam têm visão de futuro ou sequer apresentam planos para tirar o país desta crise estrutural crônica. Os discursos na essência são os mesmos, com promessas clichês que se repetem a cada eleição independente de partido.

O único critério de escolha que resta é tentar identificar aquele que é menos desonesto e ter esperança que este se assessore de gente de bem e capaz que consiga colocar o Brasil nos trilhos rumo a este futuro esplendoroso que nunca chega.

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Uma Resposta para “19/06/10 – Brasil, o eterno país do futuro.”

  1. Stella escreveu:


    Bruno,
    vc tb andou sumido :-)
    tem períodos que dou uma sumida quando vejo que nada irá mudar, aqui não tem mais futuro
    eles se apoderaram de tudo
    e o povo ... curtindo a copa
    abs
    Stella


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