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Futuro

Nos últimos 5000 anos a civilização humana evoluiu de um estágio primitivo com sociedades tribais para uma sociedade global escrevendo uma saga marcada por notáveis avanços em praticamente todos os campos do conhecimento. No campo do poder, atingimos um status de quase divindade que nem mesmo a ficção científica foi capaz de prever.

Por uma razão inexplicável, no campo espiritual nosso desenvolvimento foi medíocre e pouco avançamos em relação às sociedades tribais cujas disputas eram decididas pela força, coação ou outras formas primitivas de impor a vontade.

Os avanços da ciência levaram o homem ao espaço, permitiram o desenvolvimento de armas cuja potência é capaz de destruir o planeta diversas vezes e acentuaram diferenças que nas sociedades primitivas não eram tão significativas.

Não fomos capazes de eliminar fome, miséria, injustiça, guerra, coação e outras mazelas primitivas que só foram potencializadas e permanecem vivas em diversas regiões do planeta, tal qual eram há 5000 anos.

A imaturidade espiritual ainda está presente de forma endêmica no planeta e é visível não só nas mazelas que não foram banidas, mas também nas conseqüências de ações coletivas. A perturbação do equilíbrio atmosférico global e outras ameaças que pairam sobre a humanidade não deixam de ser frutos de inconseqüência, ganância desmesurada e da compulsão pelo poder hegemônico.

Entretanto, a tão criticada globalização trouxe em seu bojo uma semente renovadora que talvez nos leve a recuperar um pouco do tempo perdido na questão do avanço espiritual.

Enquanto a globalização representou apenas abertura de mercados, imposição do dólar americano como padrão monetário internacional, tal como preconizado em Breton Woods, pouco se avançou na questão da evolução da humanidade.

Até a década de 80, tudo caminhou como planejado com a Organização das Nações Unidas – ONU e demais organizações irmanadas, servindo de instrumento e braço executivo da imposição e disseminação do modelo idealizado pelo grupo dos países poderosos. O resultado tem sido o delineamento mais claro da fronteira entre fortes, fracos, dominadores e dominados.

Felizmente o projeto de poder vem demonstrando sinais de fracasso. É paradoxal, mas um dos instrumentos que tem levado a uma mudança de rumo no tocante à evolução da humanidade é justo um ente artificial criado dentro do projeto de poder para domínio hegemônico do mundo.

A rede mundial ou internet foi criada para viabilizar a comunicação segura entre bases americanas espalhadas pelo mundo. Entretanto, sobrepujou seu criador e é hoje uma forma inorgânica e descontrolada de vida que não pertence a ninguém. Nenhum país do mundo tem poder suficiente para desligá-la ou matá-la. Pior ainda a criatura conspira abertamente contra os interesses de seu criador.

A internet ainda é um caos digital, mas vem se mostrando um grande aliado na evolução da humanidade uma vez que é instrumento de disseminação de conhecimento colocado à disposição de todos, independente da condição de fortes ou fracos. Além disso, permite a qualquer indivíduo do planeta, lançar suas idéias, protestar ou divulgar fatos que em outro momento da história da humanidade seriam vetados pela censura do mais forte.

Basta lembrar o passado. A primeira revolução do conhecimento se deu com a invenção da imprensa por Gutenberg. A disseminação de idéias por livros e jornais levou à várias revoluções regionais, muitas das quais delinearam o atual mapa geopolítico.

A internet também vem trazendo grandes mudanças na economia global uma vez que grandes empresas, pequenas empresas ou mesmo indivíduos podem concorrer e coexistir quase em condições de igualdade, ofertando produtos e serviços em rede mundial, independente de seu tamanho.

Em breve virão mudanças mais radicais. A indústria do cinema, da música e as editoras já se vêem diante de uma situação difícil. Primeiro por que passaram a sofrer com a concorrência dos insignificantes. Segundo porque terão que se reestruturar em todos aspectos, inclusive no tocante às margens de lucro.

Com a internet, qualquer um pode produzir, lançar, vender ou mesmo doar literatura, programas, filmes e músicas. Isso para não mencionar que e rede praticamente acabou com os conceitos de direito autoral e de propriedade intelectual. Tudo passa a pertencer a ninguém com usufruto de todos.

Com a internet também vem ganhando força o conceito do trabalho coletivo global. Os exemplos mais conhecidos dessa idéia são os programas com fontes abertas e a Wikipedia.

A Wikipedia é uma enciclopédia que nem mesmo os maiores enciclpodistas do mundo aliados às maiores editores conseguiram organizar e é resultado de trabalho coletivo global, onde as pessoas se dispõem a contribuir doando trabalho e conhecimento à coletividade em troca do parco crédito pela autoria.

Em breve serão organizadas e disponibilizadas, em rede mundial, outras enciclopédias e bancos de dados, onde todo conhecimento até então guardado a sete chaves, estará à disposição de todos.

Além disso, a grande rede permitirá a organização de grupos que atualmente atuam isoladamente, tentando impedir que os interesses de poucos prevaleçam sobre os de muitos, colocando em risco a própria humanidade.

Talvez nem todos tenham percebido, mas internet já iniciou uma revolução, envolvendo agora a grande aldeia global. Tal como um Robin Hood, com uma força invisível e muitas vezes à margem da lei, a grande rede está tirando riqueza de poderosos e distribuindo a todos.

Mas esse é só o começo. A revolução tende a tomar vulto, e em breve mostrará sinais visíveis de sua força, que irá além de tirar de ricos para distribuir a todos. Da mesma forma que o trabalho coletivo iniciou insignificante e hoje constrói o que o capital aliado à vontade de poucos não foi capaz de realizar, em breve a consciência coletiva ganhará vida e levará a humanidade a evoluir espiritualmente numa velocidade maior.

Essa talvez seja a revolução mais espetacular da história da humanidade.



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